Lenda da Ponte da Misarela – Batismo do feto

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Lendas da Ponte da Misarela

Batismo do feto no ventre da mãe

Esta lenda e das mais conhecidas. É aquela que permite salvar os fetos no ventre das mães quando são fecundadas e abortam espontaneamente ao fim de algum tempo. Salvar um filho que pode nascer e é desejado é um objetivo importante para qualquer família. A lenda diz que a pessoa tem que estar grávida comprovadamente. Uma família que tenha passado por esta situação, naturalmente faz tudo para obter o que deseja, mesmo cumprir uma lenda que se não fizer bem, mal também não faz.

Uma mulher que já tivesse passado pela situação descrita e estivesse novamente gravida, deveria ir até á ponte da Misarela levando consigo dois acompanhantes e deveriam colocar-se na ponte, sem ninguém saber que ao passar lá vai ter que fazer o ritual do batismo. Pela meia noite em ponto deve a grávida estar em cima do arco da ponte e no centro do arco. Os acompanhantes têm de se colocar um em cada entrada da ponte para impedirem que nenhum animal passe pela ponte, mesmo que seja um simples rato, pois se isso acontecesse o milagre não teria sucesso.

A mulher grávida tem de esperar em cima da ponte até que alguém passasse para batizar a criança, dentro da barriga da mãe. Para o batismo, levavam um jarro e uma corda comprida e quando aparecesse a primeira pessoa, pediam-lhe para ser o padrinho (sendo homem) ou a madrinha (sendo mulher) da criança. Então o padrinho ou a madrinha da criança teriam que cortar um ramo de oliveira. De seguida, lançava o jarro preso na ponta corda (a jusante da ponte porque a agua tem que passar por abaixo da ponte) e colher a água no rio. Molhando o ramo de oliveira no vaso esparge a agua em cruz no ventre da mulher com o ramo dizendo:

Eu te batizo, se fores rapaz, pelo poder de Deus, em nome do Pai, teu nome será Gervás; e da Virgem Maria; do Filho, se fores rapariga, um Pai Nosso, e do Espirito Santo teu nome será Senhorinha e uma Avé Maria.

Após o batizado, regressam a casa e dai ao tempo que faltasse para atingir os nove meses nascia o primeiro filho ou filha com boa saúde. Esta primeira vez era válida para o futuro de outros filhos que o casal desejasse, não sendo necessário voltar a ponte. Esta lenda é o testemunho de casos vários, que foram acontecendo ao longo da vida e muitos realizados nesta e noutras freguesias. Há provas concretas de famílias que se foram á ponte da Misarela e o milagre aconteceu.

Em nova atualização publicaremos um caso concreto na narativa da batizada no ventre da mãe.

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