A REGIÃO DE BARROSO NO SÉCULO XXI

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BARROSO NO SÉCULO XXI
Hoje estamos todos mais divididos e mais individualistas, vivemos melhor, mas estamos a caminho da extinção. Mesmo que o paradigma mude, não conseguimos manter o atual nível de vida com o desperdício de recursos atuais e não desenvolvendo o interior, porque não há empregos para fixar a população e é necessário ter um salário ou pensão para sobreviver. O trabalho manual nas aldeias só existe na produção de bens para sobrevivência e a população residente está envelhecida. Daí que a manter-se tal estado de coisas, já neste século (dentro de 10 anos, com o novo reagrupamento de Freguesias), poderemos deixar de ter na proximidade das aldeias as Juntas de Freguesia. A própria Câmara Municipal também pode eventualmente ser reagrupada com outros municípios e apenas existirão algumas casas para turismo rural e de montanha em algumas das aldeias do Barroso. Se nada mudar estaremos condenados ao desaparecimento da mesma forma que desapareceram as civilizações anteriores. O consumismo atual é de tal forma destravado que nós nos auto destruiremos. Os sistemas democráticos em termos económicos deveriam ajustar as regiões com pesos relativos para distribuir equitativamente as verbas do Orçamento de Estado para desenvolver as regiões dando mais um pouco a quem menos tem. A situação a que o interior foi votado, deve-se ao mau funcionamento do sistema democrático, pois não veem um país a funcionar em termos globais, olhando somente cada um para o seu umbigo. Pelo que se verifica, não há democracia económica em Portugal, já que o grosso dos impostos vai para quem menos precisa, mas onde há mais eleitores. Nas nossas cidades desfazem-se obras bem-feitas e fazem-se outras mais modernas só para consumir os milhões orçamentados. Assim esbanjado o investimento público não chega a muitas aldeias, que têm falta de estruturas básicas como, arruamentos e saneamento básico.
É o País que temos com democracia há mais de quarenta anos. Mais tarde, para não dizer já hoje, darão conta do erro cometido e serão também severamente afetados na sua qualidade de vida, onde muita gente objetivamente produz muita poluição. Neste mundo moderno em que todos os Estados a nível mundial lutam entre si, para obter novos investimentos a fim de manterem a empregabilidade e consequente desenvolvimento. Até quando? A economia circular não está a funcionar e vamos atrofiando o futuro com mais poluição. A nível mundial o individualismo dos países sempre esteve na ordem do dia, com os recursos disponíveis que são cada vez mais escassos, não chegando a toda a gente; com a população a crescer no mundo exponencialmente, a fome que já é um flagelo vai aumentar ainda mais: com a pressão dos fluxos migratórios, obrigando os países a proteger as suas fronteiras, dado que os países mais ricos e desenvolvidos, não ajudam a desenvolver os países mais pobres para fixar as suas populações.
Expressamos a nossa opinião e olhamos para o mundo e para a nossa terra com olhos de ver. Defendemos que é necessário dotar com mais verbas as autarquias do interior, instalar novas empresas que fomos perdendo depois do 25 de abril para gerar empregos e fixar a população. Até agora tem estado tudo a funcionar ao contrário, com o fecho de Serviços Públicos, como Escolas Primárias, a perda de competências dos Tribunais Concelhios e até o fecho de repartições de Finanças, estações dos Correios, num movimento economicista sem precedentes. Nas cidades aumenta a oferta de transportes públicos: autocarros, metros subterrâneos e de superfície, comboios e barcos, com os passes sociais. Nós em Barroso e no interior, já não temos com frequência os transportes que existiam há trinta anos. Se não corrigirmos estas assimetrias regionais, que estão bem visíveis, os nossos impostos como na idade média só servem para servir os interesses de outros, e não da população pagante. É aqui que entra a justiça fiscal que não funciona, porque há uma parte do País que tem tudo e outra parte que não tem nada.
O problema de fundo não se resolve só com mais autonomia dos municípios, mas com mais competências, e mais recursos financeiros. São fundamentais os incentivos para a instalação de novas empresas publicas e privadas nestas regiões, que foram sempre prejudicadas desde o início da nacionalidade. As autarquias fazem o que podem, mas não têm capacidade financeira para inverter a situação. Se o Governo da República não lançar investimentos municipais e intermunicipais, através das atuais Comissões de Coordenação, vamos continuar reféns das grandes cidades para a empregabilidade onde o poder político ganha ou perde eleições. Este é o calcanhar de Aquiles da democracia representativa, que serve os grandes aglomerados populacionais e não se importa com a restante população e território. Há provas do que refiro, nomeadamente se verificarmos nos Orçamentos de Estado desde o 25 de Abril de 1974, aprovados pelos partidos políticos na Assembleia da República, nunca se inscreveram as verbas necessárias para regionalização ou desenvolvimento do interior. Todos os políticos e governantes de topo têm culpas objetivas. Esperamos que a sociedade civil pressione o poder político a alterar esta situação. Este problema começa a ser tema das várias organizações não governamentais que se preocupam com o assunto, e hoje já há figuras públicas importantes e até com responsabilidades governativas que já fazem reflexões, sobre a democracia económica que não acompanha a democracia política, no desenvolvimento harmonioso dos países. Para o Barroso e nomeadamente no Concelho de Montalegre a regionalização / descentralização com coesão territorial ainda cá não chegou.
Manuel Afonso Machado

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