Batismo na ponte da Misarela e o caráter sagrado das águas do Rabagão

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NOME DE SENHORINHA E GERVÁSIO NO BATISMO DA PONTE DA MISARELA

 O Bispo de Lamego D. António Monteiro fez a investigação documental ao Bispo São Rosendo, Santa Senhorinha e do irmão Gervásio, nomes que são usados para o batismo do feto no ventre da mãe fazem parte da lenda da Ponte da Misarela.

Os autores consultados dizem, que o caminho do Minho para Santiago passa, pela ponte da Misarela e é o caminho mais curto para chegar a Celanova. Supomos que também o Bispo São Rosendo antigo bispo de Dume – Braga, pode ter atravessado esta ponte algumas vezes para tornar as visitas de Santa Senhorinha ou na ida para o Convento de Celanova.

Senhorinha faleceu a 22 de abril no seu mosteiro em Basto no ano de 982. Tinha 58 anos de idade. Os manuscritos acrescentam que o seu venerado corpo foi sepultado na Igreja do Mosteiro de Vieira do Minho, entre os túmulos de São Gervásio e Godinha

Segundo o Padre Fontes o atravessamento da ponte da Misarela por Santos pode ter dado às águas do Rabagão o dom de ajudar as grávidas a manter no ventre as crianças até cumprirem o tempo normal de geração. Esta conjetura pode ser verdadeira porque só no concelho de Montalegre no século XX, conhecemos mais de meia centena de batizados feitos na ponte da Misarela.

Se olharmos para o século X com a medicina entregue a curiosos, quando viveram as personagens que referimos na lenda (Santa Senhorinha, São Rosendo e o monge Gervásio) em documentos da época são doze séculos de prática da lenda que se iniciou quando ainda não existíamos como Pais. Existia já desde o século VI a igreja católica dado que a freguesia de Salto fazia parte da Sé de Braga e as peregrinações a Santiago de Compostela para venerar o apostolo de Jesus; Tiago iniciaram-se no século XII.

Quanto à ligação da Santa Senhorinha com a Ponte da Misarela, Geraldo Dias diz-nos, que esta é uma ponte muito antiga, romano-medieval, por onde passavam peregrinos. “A ponte está ligada um curioso culto dos irmãos S. Gervásio e Santa Senhorinha, que a tradição faz naturais da vizinha região de Basto e que, aqui, teriam atravessado o rio para ir a Compostela e ao mosteiro de Celanova visitar seu primo S. Rosendo”. Acrescenta ainda o seguinte: de facto, existe na região uma lenda de gostoso sabor antropológico cristão segundo a qual, quando para uma mulher o período de gestação foi atribulado ou já houve nado-morto, se deve fazer o batismo pré-natal no útero da mãe, extra-sacramental, por um padrinho ali surpreendido, de noite ou de dia e ao acaso.

Este, deitando água do rio sobre o ventre materno, deverá dizer a seguinte fórmula:

Eu te batizo, criatura de Deus.

Pelo poder do Senhor e de Santa Maria.

Se fores rapaz, serás Gervás(io);

Se fores menina, serás Senhorinha.

Assim se conserva nas terras barrosãs o culto memorial dos santos irmãos Gervásio e Senhorinha, ligados ao poder mágico da água da ponte da Misarela”. Verificamos, então, que na lenda da Misarela estes nomes estão acima de tudo relacionados com a travessia do Rabagão, remetendo-nos, novamente, para o carácter sagrado da água do rio.

Autores:

(Freire, A. 1921 p. 201-204) ; (Martins, M., 1954, p 41- 46; Monteiro, A:, 1982 p. 38 – 182 e Dias, G., 1996 p. 66-67).

 

Manuel Afonso Machado

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