Ferral – Função das autarquias na preservação e revitalização da história local

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Dr. João Soares Tavares
Aspecto da aldeia de Sidrós (in “Ecos de Barroso”)

Em defesa da História

                Função das autarquias na preservação e revitalização da história local

João Soares Tavares

Numa crónica de carácter histórico publicada neste jornal em finais de Setembro do ano passado intitulada “D. Afonso III e o Barroso”, explanei sobre a importância que o monarca teve na região e evidenciei SIDRÓS aldeia da freguesia de FERRAL, nos termos que a seguir se transcrevem:

“Sem pretender excluir qualquer freguesia barrosã – todas têm o seu valor histórico –, hoje vou destacar Ferral, freguesia do Baixo Barroso e em particular Sidrós aldeia pertencente aquela freguesia.

Segundo as Inquirições afonsinas de 1258, (as Inquirições anteriores não chegaram a Barroso) na colação de Santa Marinha são referenciados diversos casais habitados e algumas aldeias. Destas, chegaram até hoje incluídas na freguesia de FerraI: Nogueiró, Viveiro, Ferral e Sidrós. Todavia, Sidrós é a única aldeia da referida freguesia que está relacionada com D. Afonso III, conforme se confirma na Chancelaria desse rei. Estando em Guimarães a 27 de Maio de 1258, concedeu nesse dia um aforamento em Sidrós a Martim Lopes e sua mulher Marinha Peres. (1) Notar: 15 anos antes da outorga do foral a Montalegre. O mesmo rei, a 22 de Abril de 1262 em Coimbra atribuiu um aforamento na mesma aldeia a Gonçalo Garcia e sua mulher Maria Anes. (2) Ainda na referida cidade conferiu outro aforamento em Sidrós a 20 de Novembro de 1264, ao primeiro casal aqui referido. (3)

Baseando-me na documentação citada da Chancelaria de D. Afonso III preservada na Torre do Tombo, posso afirmar que os primeiros habitantes referenciados de Sidrós e concludentemente do território que engloba a actual freguesia de Ferral, foram Martim Lopes e sua mulher Marinha Peres no dia 27 de Maio de 1258. Conforme já escrevi noutras circunstâncias, eles deverão ser reconhecidos como tal. Em 27 do mês de Maio do próximo ano, estarão transpostos precisamente 761 anos, um dia oportuno para a terra recordar a efeméride e, porque não, colocar uma placa alusiva naquela aldeia de Ferral. Aqui deixo com tempo de antecedência esta nota à consideração da Junta de Freguesia de Ferral. Gastando apenas um punhado de euros revitalizam a História da terra. Sabendo eu que é uma Junta preocupada com a Cultura e com a História recordo nomeadamente o apoio dado ao livro Freguesia de Ferral, Montalegre, dos autores barrosões Manuel Afonso Machado e José Miranda Alves, não deixará de analisar esta minha proposta.”

Após a publicação da proposta acima expressa houve quem pensasse que ficaria eternamente esquecida a criar mofo. Realmente, embora não seja uma regra, muitos autarcas preocupam-se em mostrar trabalho nos anos de eleições esperançados em conquistar mais alguns votos. Há excepções. Verificou-se no presente caso. Fui informado recentemente pelo Doutor Manuel Machado barrosão dos quatro costados com raízes em Ferral, também estudioso da Cultura Barrosã e lutador pelas melhorias sociais da sua terra, que a minha proposta não ficou esquecida. Segundo lhe assegurou o Presidente da Junta de Ferral está agendada a inauguração de uma lápide inserida num bloco de granito no centro da aldeia de Sidrós alusiva aos dois primeiros habitantes deste lugar. 

Desconheço pessoalmente aquele autarca de Ferral (Dr. Aníbal Ferreira), O que sei sobre o trabalho anterior desenvolvido pela Junta de freguesia a que preside é o que todos sabem – tem sido divulgado na Comunicação Social. Relativamente ao caso em questão sou insuspeito ao afirmar: oxalá outros autarcas sigam o exemplo do Presidente da Junta de Ferral no que concerne à preservação e revitalização da História da terra que representam, porque se a História veio ao encontro dos homens, nem sempre os homens sabem honrar a História.

NOTAS:

(1) Livro I de Doações de D. Afonso III, folhas 30 vº, Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo

(2) Idem, folhas 60 vº, IAN/TT

(3) Idem, folhas 72 vº, IAN/TT

(João Soares Tavares escreve segundo o anterior acordo ortográfico)

 

 

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