João Rodrigues Cabrilho 478 anos depois

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Dr. João Soares Tavares
João Rodrigues Cabrilho – Nasceu há 478 anos em Lapela Freguesia de Cabril – Montalegre – Estatua do navegador em Montalegre.

João Rodrigues Cabrilho 478 anos depois. 

A origem de João Rodrigues Cabrilho no lugar de Lapela na Freguesia de Cabril, no Concelho de Montalegre não tem contestação possível e está cientificamente fundamentada.  Esperamos que em condições normais Montalegre irá recordar a 3 de Janeiro de cada ano – “Dia de Cabrilho” –, o notável navegador no mínimo com uma romagem ao monumento evocativo erguido na praça principal do Concelho. Esta atitude por este Barroão só enobrece o Concelho e os seus conterrâneos. (Manuel Afonso Machado)

 

 

 João Soares Tavares (1)

A 3 de Janeiro de 2021 completam-se 478 anos sobre o falecimento de João Rodrigues Cabrilho. Por razões culturais e sobretudo para não deixar cair na memória do esquecimento o descobridor da Costa da Califórnia ainda hoje ignorado pela generalidade dos portugueses, decidi lembrar esse barrosão natural do concelho de Montalegre.

A vila de Montalegre estará mais empenhada em evitar a propagação do coronavírus, ou como solucionar os diferentes problemas de natureza económica resultantes da pandemia, que são preocupação de todos os portugueses. Todavia, pergunto: em condições normais Montalegre iria recordar a 3 de Janeiro – “Dia de Cabrilho” –, o notável navegador no mínimo com uma romagem ao monumento evocativo erguido na praça principal do burgo, seguida da deposição de um simples ramo de flores?

Somente quando os espanhóis de Palma del Rio (Córdova) entre 2015 e 2018 tentaram apropriar-se da naturalidade de Cabrilho desviando-a para aquela localidade espanhola e a afronta já proliferava na Internet, algumas (poucas mas destemidas) vozes barrosãs insurgiram-se na imprensa regional contestando aquele agravo. Também o signatário desta nota que não sendo barrosão sentiu o dever de uma vez mais vir a terreiro utilizando as ferramentas que estavam ao seu alcance – alguns órgãos da Comunicação Social –, para rebater a tese pouco consistente do “Cabrilho espanhol” e esclarecer os mais incrédulos revelando documentos que vinculam a nacionalidade portuguesa de Cabrilho e a sua naturalidade em Lapela de Cabril, aldeia do concelho de Montalegre. (Veja-se nomeadamente: Notícias de Barroso de 05//11/2018; Ecos de Barroso de 27/11/2018; Diário do Minho de 09/01/2019; ABC de 08/06/2019…).

O assunto chegou à Câmara Municipal de Montalegre. De uma moção aprovada em reunião da Câmara de 3 de Janeiro de 2019 divulgada na altura pela imprensa regional barrosã, destaco dois itens:

– “ Determinar o dia do falecimento do navegador, 3 de janeiro, como `Dia de Cabrilho` associado a um programa simples como forma de, todos os anos, ser lembrado e homenageado.”

Tal como é sugerido pela elite intelectual de Barroso, pensar-se desde já numa grandiosa homenagem, num tempo a determinar, uma homenagem internacional para que o navegador ganhe em definitivo o estatuto a que tem pleno direito.”

 Pensei então: os barrosões irmanados nos mesmos ideais iriam finalmente homenagear com dignidade o conterrâneo humilde, que partiu à descoberta do Novo Mundo (América) somente com o bornal cheio de esperança e alcançou a fidalguia “pelos seus próprios méritos”.

Entretanto, passaram os anos de 2019 e 2020, uma nuvem silenciosa avassala a capital de Barroso.

Quero crer, a designada “elite intelectual de Barroso” estará a trabalhar afincadamente em silêncio aguardando o extermínio do coronavírus, para depois realizarem a citada grandiosa homenagem.

Cabrilho praticou feitos notáveis que ficaram gravados na História Mundial embora sob a bandeira espanhola, como aliás Fernão de Magalhães. É português. Pertence ao nosso património cultural. Deverá merecer o respeito de todos.

Enquanto a grandiosa homenagem não se realizar e o “Dia de Cabrilho” a 3 de Janeiro não for oficializado, decidi escrever esta nota (mais uma) cuja única pretensão repito, é não deixar cair na memória do esquecimento pelo 478º aniversário da sua morte, o português natural de uma pequena aldeia encravada nas penedias da serra do Gerês, que foi “apenas” o descobridor da Costa da Califórnia e primeiro autor publicado no Novo Mundo ou, para ser mais rigoroso, o pioneiro do jornalismo no Novo Mundo.

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(1)Investigador, biógrafo de Cabrilho

(João Soares Tavares escreve segundo o anterior acordo ortográfico)

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