João Rodrigues Cabrilho versus Fernão de Magalhães

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Navegador Fernão de Magalhães

 João Rodrigues Cabrilho versus Fernão de Magalhães

A viagem de circum navegação iniciada pelo português Fernão de Magalhães foi terminada pelo espanhol Sebastião Delcano.

Os espanhóis pretendem aproveitar só para si os feitos Históricos que foram levados a cabo por navegadores Portugueses ao serviço do rei de espanha, como é o caso de João Rodrigues Cabrilho, descobridor da costa da Califórnia, cujo nascimento foi em Barroso, que os espanhóis pretendem nacionalizar. A defesa da nacionalidade portuguesa foi bem explicada e justificada, pelo seu biografo, o meu amigo Dr. João Soares Tavares e publicada neste jornal, (que podem relembrar aqui) a história de Fernão de Magalhães que ao serviço do rei de Espanha Carlos I, iniciou a volta ao mundo, que os espanhóis pretendem menorizar, faz parte deste artigo.

E se o mundo hoje conhece mais o português do que o basco, isso deve-se, em boa parte, a um italiano, o escritor e marinheiro da esquadra Antonio Pigafetta, que elaborou um diário da viagem e que estava entre os que regressaram.

Em Relazione del Primo Viaggio Intorno Al Mondo, o relato publicado pela primeira vez em Paris em 1524-25, Pigafetta só fala de Magalhães. Mas em Portugal sempre nos ensinaram que a viagem foi iniciada por Magalhães e concluída pelo espanhol Sebastião Delcano, depois do falecimento de Magalhães. O seu a seu dono…

Aplica-se nestes casos o ditado popular português que diz: “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”

A Rota de Magalhães é portuguesa, é espanhola, é do mundo. Magalhães propunha-se atingir as Molucas, as chamadas “ilhas das especiarias”, hoje pertencentes à Indonésia, viajando para ocidente, numa rota alternativa à então usada pelos portugueses, que navegavam para oriente, ao longo da costa africana contornando o Cabo da Boa Esperança. Depois de D. Manuel I se ter recusado a apoiar tal projeto, antevendo que poderia ser desfavorável à coroa portuguesa, que então controlava a única rota marítima de acesso a este importante território produtor de cravo da índia (especiaria conhecida como “cravinho” e que valia o dobro da pimenta), Magalhães foi propô-lo a Carlos I de Espanha. Chegou a Sevilha em 1517 e no ano seguinte apresenta-se ao jovem rei, então com 18 anos, para dizer que seria possível chegar ao arquipélago das Molucas rumando a ocidente e que, pelos seus cálculos, aquelas ilhas estariam na área de influência que o Tratado de Tordesilhas (o acordo bilateral assinado em 1494 em que os dois reinos ibéricos dividiram entre si as terras “descobertas e por descobrir”, com o beneplácito do Papa) atribuía à coroa castelhana. E isto sem mencionar qualquer intenção de dar a volta ao mundo. Em 1519 uma armada composta por cinco navios com bandeira espanhola — Trinidad, Victoria, San Antonio, Concepción e Santiago — e 234 homens a bordo, de múltiplas nacionalidades, mas sobretudo espanhóis, parte de Sanlúcar de Barrameda, perto de Cádis, com Magalhães no comando. Será ele a capitanear a frota até ser morto em batalha nas Filipinas. A ele se devem, por isso, as arrojadas decisões que tornaram possíveis feitos até ali inéditos — sem os seus conhecimentos de navegação e sem que se tivesse rodeado dos cartógrafos e cosmógrafos certos, sem a sua intuição e persistência, muito provavelmente não teriam encontrado o estreito (de Magalhães) que acabou por ficar com o seu nome e não teriam conseguido atravessar o oceano Pacífico, que se revelou muito maior do que o suposto.

Sob a liderança de Magalhães (os outros capitães eram Juan de Cartagena, Gaspar de Quesada, João Serrão e Luiz de Mendoza), a frota enfrentou as intempéries e o desconhecido e venceu a parte mais difícil da viagem. Mas Elcano teve a coragem e o mérito de, arriscando-se a encontrar os navios de D. Manuel e, com eles, a morte ou a prisão certas, ter regressado a casa pelo caminho mais curto, completando a volta ao mundo. O navegador basco chegou a Sanlúcar de Barrameda com apenas 18 homens dos 234 que dali tinham partido três anos antes. Quase 90% da tripulação ficara para trás – uns mortos no mar ou em batalha, outros cativos, outros ainda abandonados à sua sorte em territórios inóspitos ou mandados executar por Magalhães na sequência de um motim no porto de São Julião, em Abril de 1520, revolta em que Elcano teve um papel de relevo.

Se Magalhães planeou a sua própria morte para não ter de contar ao rei de Espanha, no regresso, que as ilhas Molucas afinal ficavam do lado português; se era ou não um espião ao serviço de D. Manuel I; ou se outros navegadores e nobres portugueses planearam o seu assassinato para que não concluísse a viagem, são apenas alguns dos ingredientes da lenda que à volta dele se foi construindo. Elcano terá, certamente, direito aos seus.

In ABC-portuscale nº 130 de 30-03-2019 (adaptado)

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