NOVOS DADOS SOBRE A TERRA NATAL DE JOÃO RODRIGUES CABRILHO

INTRODUÇÃO
Uma parcela da vida de João Rodrigues Cabrilho permanece misteriosa. Desconhece-se o dia preciso do seu nascimento. A morte levou-o a 3 de Janeiro de 1543. Repousa em local desconhecido de uma ilha do Pacífico. Deixou um legado notável: descobrimento da Costa da Califórnia.
Nos meus últimos estudos publicados em diferentes meios, registei, apoiado em documentação histórica fiável, provas irrecusáveis em defesa da sua nacionalidade portuguesa.(1) Segundo creio, dúvidas que permaneciam dissiparam-se. Quanto à terra que o viu nascer é mais complexo.
A tradição oral inclina-o para Lapela, aldeia raiana do Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde existe uma velha casa em granito designada desde há séculos “casa do galego”, que, segundo a convicção popular foi o berço de Cabrilho.
Neste artigo revelo indícios adormecidos em documentação estrangeira insuspeita, sobre a verossímil terra natal de Cabrilho. (2) Recordá-lo aqui pelo 483º aniversário da sua morte – 3 de Janeiro de 2026 –, é, também, o meu contributo para não deixar cair o valoroso navegador na memória do esquecimento.
DESCOBRIMENTO DO PORTO DE JUAN GALLEGO

Em Dezembro de 1540, o Vice-Rei do México Antonio Mendoza e o governador da Guatemala Pedro de Alvarado incumbiram Cabrilho de descobrir nas costas do México, (Nova Espanha) um porto que reunisse condições de abrigo para os barcos e possibilitasse a preparação de viagens de descobrimento e de exploração no Pacífico. Cabrilho separou-se da armada que estava fundeada no porto de Santiago de Buena Esperanza, (Manzanillo na actualidade) e partiu no seu barco para norte. Poucos dias depois regressou ao porto de Santiago tinha descoberto o porto adequado na costa mexicana de Colima do actual estado de Jalisco.
(Fig. 1) O feito ficou registado num processo judicial (1542-1568) que se processou na Guatemala, então território espanhol.(3) Embora pouco conhecido reveste-se de notória importância porque ajuda a decifrar, ou, pelo menos a sugerir, a terra que viu nascer Cabrilho.
Don Francisco Marroquín, bispo da Guatemala, testemunha nesse processo, forneceu em 19 de Abril de 1560 o seguinte depoimento (tradução do original): “Pedro de Alvarado e o vice-Rei Antonio Mendoza encarregaram Rodriguez Cabrillo de descobrir um novo porto na costa do Mar do Sul da Nova Espanha, é verdade que ele descobriu o porto…” (4)
A presença do Bispo Marroquín quando Cabrilho fez o descobrimento é confirmada pelo próprio Prelado no processo citado ao depor (tradução do original) : “…partiu na armada (desde a Guatemala) como conselheiro de Alvarado e com o seu bom amigo Juan Rodriguez”. (5)

O porto situado junto da povoação de Cihuatlán, passou a ser conhecido: Puerto de Juan Gallego. (6) A povoação mantém o mesmo topónimo na actualidade. (Veja-se a localização de Cihuatlán no mapa da figura 2).
Os documentos coevos registam o Puerto de Juan Gallego, mas, não fornecem uma explicação para a origem desse topónimo. Porém, a Toponímia é um auxiliar valioso da História quando os documentos são imprecisos. Assim, não será despiciente admitir: a designação do porto sugere o seu descobridor, Cabrilho, que, segundo parece, seria vulgarmente identificado pelos companheiros mais chegados, mormente pelos tripulantes do seu barco que o acompanharam nesse descobrimento, por Juan Gallego/João Galego. Portanto, com base neste pressuposto, é admissível deduzir: a alcunha “galego” relaciona-o com a designada “casa do galego” na referida aldeia de Lapela, onde segundo a tradição terá nascido. Haverá outra explicação para a alcunha de Cabrilho? Haverá outra explicação para o topónimo do porto?
JUAN GALLEGO E NAVIDAD DOIS TOPÓNIMOS DO MESMO PORTO
Em 25 de Dezembro de 1540 atracou no porto de Juan Gallego, a primeira armada com o Vice-Rei Mendoza e o Governador Alvarado, mais o bispo Marroquin e Cabrilho, conforme se confirma em diversos documentos. Cito de um documento mexicano: “El Virrey don Antonio de Mendoza llegó con su armada al proprio puerto, el 25 de diciembre de 1540. Precisamente por ser día de Navidad, se le impuso ese nombre al antiguo Puerto de Cihuatlán o de Juan Gallego” (7). Este documento atesta as diferentes designações para o mesmo porto:Cihuatlán, Juan Gallego e Navidad.
O depoimento juramentado do Bispo da Guatemala transcrito atrás é confiável, pois foi prestado durante o processo judicial referenciado, por uma testemunha que assistiu ao descobrimento do porto.
Em abono da verdade devo salientar, depois da conquista de Tenochtitlán, capital do império asteca, a região mexicana onde se localizava o porto foi conquistada a partir do interior durante diferentes expedições terrestres iniciadas em 1523. Em 1535 ainda continuava a conquista dessa região depois designada Nueva Galicia. Eventualmente, o porto poderá ter sido avistado por um ou mais conquistadores vindos do interior, em data anterior ao descobrimento marítimo pelo nosso compatriota. Todavia, foi Cabrilho que aportou pela primeira vez com o seu barco em Dezembro de 1540 nesse porto, numa viagem marítima com finalidade descobridora, porto que passou a ser conhecido pelo topónimo Puerto de Juan Gallego. Somente em 25 de Dezembro de 1540, alguns dias após o descobrimento, com a ancoragem da primeira armada – de Alvarado-Mendoza –, o porto recebeu o topónimo Navidad.
Diversas obras referenciam as designações do porto. Seguem-se algumas citações:
“El 1 de noviembre de 1542, Ruy López de Villalobos, al mando de una flota de seis barcos, se hizo a la vela en Navidad, llamado entonces Puerto de Juan Gallego” (8);
“Las naves de Villalobos zarparon el 1 de noviembre de 1542 del puerto de Juan Gallego, en Bahía Navidad, en el actual estado mexicano de Jalisco”. (9);
“Navidad fue un antiquísimo e importante puerto en el pasado. (…) Primitivamente se le conoció con los nombres de, Puerto de Cihuatlán, Puerto Santo, Puerto de Juan Gallego, Puerto de la Navidad y Puerto de Xalisco.” (10)
DISCORDANTE
O historiador norte-americano Harrry Kelsey no seu livro, “Juan Rodriguez Cabrillo, Huntington Library, San Marino”, fundamenta a sua discordância em narrações ambíguas da viagem de Ruy López de Villalobos atrás referida, e conclui serem dois portos distintos, que, a ser verdade iria apagar uma página relevante da vida do navegador. Mas, não é verdade, conforme irei provar. Analisemos:
Na página 101 escreveu (tradução do original): “o roteiro original da expedição diz que Villalobos saiu do Puerto de Juan Gallego…”.
Da página 102 transcrevo (tradução do original): “O cosmógrafo real Alonso de Santa Cruz, escrevendo alguns anos depois da viagem, dá informação adicional que ajuda a clarificar o assunto. Santa Cruz disse que Villalobos não partiu directamente de Navidad, pelo menos não directamente. De acordo com a sua descrição, Villalobos partiu do porto de Navidad, que é na costa da Nova Espanha no Mar do Sul. Ele foi depois para o Porto Santo de onde largou para a sua viagem no dia de Todos os Santos de 1542.” Então, Kelsey deduziu, e, acrescento eu, deduziu bem (tradução do original): “Santo é sem dúvida outro nome para Juan Gallego…”. (Pág. 102). Porém, não deduziu que Santo também era outro nome para Navidad, conforme prova o documento referenciado na nota 10, e outros documentos a seguir apresentados:
O mapa do piloto e cartógrafo Domingo del Castillo de 1541 (Figs. 2 e 4) tem gravado o porto em questão com o topónimo Santo, e a obra “Apuntes para la Historia de la Geografía de México”, por don Manuel Orozco y Berra,Tomo 11, Núm.1, México, regista ser Porto Santo e Porto de Navidad designações do mesmo porto. Transcrevo: “… Puerto Santo, como lo dice Domingo del Castillo, es el mismo puerto de Navidad, e idéntico al Cihuatlán…»(11).
Kelsey, parece ser influenciado por uma descrição de um obscuro participante na viagem de Villalobos, ficando conhecida por “descrição anónima da viagem”. Com efeito, na página 103 do livro referindo-se à “descrição anónima”, Kelsey escreveu (tradução do original): “Esta descrição diz que depois de sairem de Navidad, Villalobos descobriu que a carga estava arrumada de forma imprópria. Em vez de regressar para Navidad, direcionou a frota para o porto de Juan Gallego para descarregar e acondicionar a carga.” A confusão terá surgido em consequência do desconhecimento dos diferentes topónimos do mesmo porto.

Esclareça-se: o porto de Navidad, porto de Juan Gallego, ou porto Santo, tinha uma largura e um comprimento consideráveis, com diversas baías e ilhotas até, na grande “boca do porto”, conforme se observa na interessante Carta geográfica del Obispado de Nueva Galicia de 1550. (Fig. 3); num mapa de Colima de 1553 (in, Colima of the Newspain, in the Sixteenth Century, de Carl Sauer, Berkeley); entre outros mapas coevos. Provavelmente, a frota de Villalobos fez uma paragem num local distinto do ponto de partida, porventura em uma das baías do porto, para “acondicionar a carga”. É a inferência mais lógica, pois segundo se prova, o mesmo porto teve designações diferentes, iludindo os narradores ao escreverem as suas descrições em datas diferentes, algumas anos depois da viagem deVillalobos, e, segundo parece, também iludiram Kelsey.

No livro citado, Kelsey refere um mapa da costa da Nova Espanha de 1580, dito mapa de Cavendish, o qual, segundo afirma (tradução do original): “mostra Juan Gallego um porto na costa de Colima alguma distância a norte de Navidad”. (Pág. 102) A afirmação vinculada a Kelsey oferece-me dúvidas, porque os documentos coevos, datados de anos próximos após o descobrimento do porto em 1540, assinalam na costa de Colima dois únicos portos, um é o porto de Navidad, podendo estar registado com outro dos topónimos: Juan Gallego ou Santo, e, o segundo é o porto de Santiago. Confirma-se nomeadamente no mapa de Domingo del Castillo de 1541 que tem registado o porto de Navidad com o topónimo Santo, e a sul deste o porto de Santiago (Fig. 4); no mapa do português António Pereira de 1545 que repete a mesma nomenclatura. Saliento a “Relación Breve y Sumaria de la visita hecha por el Lic. Lorenzo Lebrón de Quiñones, oidor del Nuevo Reino de Galicia por Mandado de Su Alteza”, datada de 1553 do qual se transcreve: “ En esta provincia de Colima hay dos puertos del Mar del Sur, y el uno es el puerto de Navidad, junto a la provincia de Cihuatlán. (…) Hay otro puerto que se llama el de Santiago, está a nueve leguas del de Navidad…” ( 12 ). Mais uma prova: carta geográfica de 1567 da costa de Colima reproduzida do livro “Fray Juan Larios, defensor de los indios y Fundador de Coamnila”, regista o porto de Navidad e, a sul o porto de Santiago, assinalados na figura 5 com setas vermelhas.

BARRA DE NAVIDAD
Os mapas modernos do México não registam o porto com o topónimo Navidad ou Juan Gallego, à mesma latitude está inscrito: Barra de Navidad. (Ver fig. 1) Como explicar esta designação que substituiu os topónimos anteriores?
Solicitei à Embaixada do México em Lisboa informação sobre documentos relacionados com o assunto, como já fizera anteriormente para fins semelhantes. Facultaram-me a direcção do Governo do Estado de Jalisco e da Secretaria de Cultura de Jalisco, a quem manifesto a minha gratidão, em particular à historiadora responsável do Centro Documental de Artes de Jalisco, pelo envio de informação e de documentação preservada nos seus arquivos.
Em jeito de epílogo transcrevo a seguir o Despacho Titular da Secretaria de Cultura de Jalisco enviado:
« DESPACHO TITULAR DE LA SECRETARÍA DE CULTURA JALISCO
Buenas tardes Dr. João Soares Tavares, agradecemos haberse acercado a Secretaría de Cultura para apoyarlo en su investigación, para poderle dar una mejor respuesta nos acercamos a la Licenciada Carmen Pedraza Rodríguez Encargada del Centro Documental de las Artes de Jalisco la cual pongo en copia en este correo, haciéndonos llegar información esperando le sea de utilidad:
Dando respuesta a su cuestionamiento sobre la existencia del Puerto de Juan Gallego que estaba ubicado en la costa de Jalisco en el siglo XVI y no se puede localizar en mapas modernos:
Ya no existe el Puerto de Juan Gallego, mejor conocido con el nombre “Puerto de la Navidad” de acuerdo la publicación Historia Mexicana del Colegio de México, vol. 14 núm. 5 octubre-diciembre 1964.
“Tan pronto murió el virrey don Luis de Velasco, la Audiencia de México ordenó destruir el astillero de Navidad. Para 1564, esto ya había sucedido. Al informar de esto Juan Pablo Carrión al rey de España el 11 de septiembre, sugería la conveniencia de construir otro astillero em Te-huantepec o em Acapulco. Por suerte, pues, se alcanzó a terminar la construcción de los navíos que fueron a la conquista y pacificación del archipiélago de Filipinas. Destruido el astillero de Navidad, se extinguió la vida de ese antiguo y legendario puerto de Xalisco.”
…El antiguo Puerto de la Navidad estuvo ubicado en el lugar en que ahora se halla el poblado o balneario denominado Barra de Navidad, en la costa del Estado de Jalisco, como lo comprueban cartas geográficas y documentos del siglo xvi publicados junto con este trabajo.
“Todavía en 1912, a principios de este siglo, era conocido el Puerto de la Navidad con este nombre, habiéndose formado la Barra debido a los acarreos del río Chacala o Maravasco.” …
Efectivamente el Puerto de la Navidad durante su historia llevo el nombre de Puerto de Juan Gallego, cito:“. DE LA EXISTENCIA del puerto de la Navidad en el siglo xvi, existen numerosas pruebas documentales y testimoniales, mismas que confirman que efectivamente existió cuando se construyeron las naves y éstas partieron a la conquista de las Islas Filipinas, en 1564.
Navidad fue un antiquísimo e importante puerto en el pasado. En realidad, puede decirse que tiene una historia muy antigua, interesante y poco conocida. Primitivamente se le conoció con los nombres de Puerto de Cihuatlán, Puerto Santo, Puerto de Juan Gallego, Puerto de la Natividad y Puerto de Xalisco.”
Espero que le sea de utilidad la información.
Saludos
Lic. Carmen Pedraza Rodríguez
Dirección de Patrimonio Cultural, Secretaría de Cultura, Jalisco
CONCLUSÕES
1 – O Despacho Titular da Secretaria de Cultura de Jalisco, confirma o resultado da minha pesquisa expresso neste artigo: existência de um porto na costa mexicana do actual estado de Jalisco (porto descoberto por Cabrilho), que teve diferentes topónimos entre os quais Juan Gallego e Navidad, localizado no mesmo espaço geográfico onde se formou a Barra de Navidad, em consequência do assoreamento do rio Chacala ou Maravasco.
2 – O topónimo Puerto de Juan Gallego perdeu-se prevalecendo o topónimo Puerto de Navidad até ao início do séc. XX.
3 – Cabrilho foi o descobridor do porto que ficou conhecido por Puerto de Juan Gallego.
4 – Cabrilho, identificado por Juan Gallego, permite relacioná-lo com a “casa do galego” de Lapela, e reforçar o verossímel nascimento do navegador nessa aldeia, onde existe uma tradição oral de referência.
(João Soares Tavares escreve segundo o anterior acordo ortográfico)
NOTAS
(1) Nomeadamente: “João Rodrigues Cabrilho um português entre Lapela, Tulha Nova e Palma del Rio”, in Revista Aquae Flaviae nº 66 de Junho de 2023; “A verdadeira nacionalidade de João Rodrigues Cabrilho”, in Ecos de Barroso de 5 de Janeiro de 2024; “Afinal qual é a verdadeira nacionalidade de João Rodrigues Cabrilho? – Análise do livro de Wendy Kramer que desviou a nacionalidade de Cabrilho para Espanha”, in Suplemento CULTURA do Diário do Minho de 17 de Janeiro de 2024 e de 31 de Janeiro de 2024, trabalhos do autor deste artigo.
(2) Para os interessados num conhecimento mais pormenorizado do assunto veja-se, Tavares, João Soares,“O porto de Navidad e a terra natal de João Rodrigues Cabrilho”, in Revista Aquae Flaviae nº 69 (pág. 97 à pág. 138), Dezembro de 2025.
(3) Probança hecha por parte de Joam Rodriguez Cabrillo nel pleyto que tracta com don Franscisco de la Cueva, sobre los pueblos de Tacuba y Jumaytepeque, Archivo General de Indias, Sevilha, cit. em Tavares, João Soares, João Rodrigues Cabrilho um Homem do Barroso?, 1998.
(4) Méritos Y servicios de Juan Rodriguez Cabrillo, in Anales de la Sociedad de Geografia e Historia, Archivo General da Guatemala.
(5) Méritos Y servicios de Juan Rodriguez Cabrillo, idem
(6) Pizano y Saucedo, Carlos, El Puerto de la Navidad y la expedición de Legazpi, México, 1964
(7) Pizano y Saucedo, Carlos, idem
(8) Alvarez, José Rogelio, Puerto de Navidad, la costa de Jalisco y la navegación del Pacífico, 1957
(9) Alvarado, García de Escalante, (1516?-1556) Relación del Viaje que hizo desde Nueva España a las Islas del Poniente, después Filipinas, Ruy López de Villalobos, de orden del Virrey de Nueva España Don Antonio de Mendoza, est. prelim. de Carlos Martínez Shaw, Santander, Servicio de Publicaciones de la Universidad de Cantabria, 1999.
(10) Pizano y Saucedo, Carlos, ob. cit.
(11) Orozco Y Berra, Manuel, Los Conquistadores de México. México, 1938; “Apuntes para la Historia de la geografía en México”; Año IV, Tomo 11, Núni. 1, México, 1873.
(12) Quiñones, Lorenzo Lebrón de, “Relación Breve y Sumaria de la visita hecha por el oidor del Nuevo Reino de Galicia por Mandado de Su Alteza, 1553”, Boletín de la Junta Auciliar Jaliscience de la Sociedad Mexicana de Geografia e estadística, ed. 1952
FONTE: SUPLEMENTO CULTURA DO DIÁRIO DO MINHO DE 31/12/2025















