VANTAGENS DA STORAGE INOVGRID LIGADA ÁS REDES ENERGÉTICAS NACIONAIS.

0
36
Storage InovGrid - Évora

Hoje estamos em Évora para inaugurar um projeto pioneiro de armazenamento de energia em Portugal! A Siemens juntou-se à EDP Distribuição e à Universidade de Évora para criar a solução Storage InovGrid, um projeto que une inovação à sustentabilidade. Veja o vídeo para conhecer todos os pormenores.

Publicado por Siemens Portugal em Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

VANTAGENS DA STORAGE INOVGRID LIGADA ÁS REDES ENERGÉTICAS NACIONAIS.

As redes energéticas nacionais, estão desenhadas para responder às necessidades normais de transmissão e distribuição da energia elétrica necessária e planeada, para as 24 horas do dia. Outras solicitações fora da normalidade são combinadas com o despacho nacional nomeadamente as potências usadas intermitentemente por grandes consumidores como as siderurgias em qualquer nível de tensão. Há outras potências significativas que são também combinadas com o distribuidor e fornecedor de energia, seja qual for o nível de tensão. Temos assim um diagrama de potência necessária previsível de 24 em 24 horas. A curto prazo necessitamos da digitalização da rede nacional e de novos equipamentos digitais ligados a rede para dar resposta rápida a novas solicitações de consumo ou melhorar a qualidade de serviço disponibilizada.

A possibilidade de Instalar a STORAGE INOVGRID é um vetor estratégico nas redes, nomeadamente em Media Tensão são fundamentais para melhorar a qualidade de serviço em tempo de interrupção equivalente e até de melhoria da qualidade e da quantidade de energia que pode ser disponibilizada. A vantagem de podermos vir a adquirir no futuro sistemas de grande capacidade de armazenamento que permitem a solicitação de maior potência em proximidade pelo sistema que disponibiliza a carga mantendo o sistema dentro do equilíbrio e alimenta essa potência solicitada através do sistema de acumulação, até voltar novamente ao equilíbrio normal. Pretende-se que a comunicação com as redes através de software deste equipamento possa até alimentar em alternativa setores em avaria até a reposição normal do serviço.

A storage inovgrid é uma especie de bateria inteligente que se pode sincronizar com a rede e atuar nas redes  já digitalizadas permitindo no futuro o armazenamento de quantidades significativas de energia elétrica para interagir como automato com a rede energética, para resolver problemas pontuais de falta de potencia e atuar na resolução do problema detetado. Este equipamento irá revolucionar e melhorar o sistema de distribuição mundial, porque permite uma reserva praticamente instantânea de energia em pontos críticos da rede energética. A União Europeia iniciou a investigação neste campo e tem um programa que está em fase de testes onde a EDP Distribuição participa, bem como as grandes empresas tecnológicas como a Siemens. Há já protótipos instalados em Portugal, um deles na Universidade de Évora, que permite estudar e testar o equipamento. Depois das redes digitalizadas este tipo de equipamento é o que a rede necessita para dar um grande salto para a melhoria da qualidade de serviço para 4 noves (.9999).

Temos atualmente em Portugal uma excelente qualidade da energia elétrica e de serviço disponibilizada aos clientes de 3 noves (.999), pela EDP Distribuição, que poderia ser melhorada se os equipamentos digitais que todos possuímos em casa e nas fábricas, não fossem eles elementos poluidores das redes energéticas que os alimentam. O armazenamento de energia elétrica tem assim um fator decisivo, nomeadamente na substituição temporária do fornecimento de energia, pela rede elétrica em avaria, pois nunca será possível eliminar definitivamente todas as avarias nas redes energéticas.

A inclusão da energia eólica no mix energético nacional devido á sua variabilidade de potencia é mais um fator gerador de instabilidade na rede energética dada a sua importância na potencia total da rede, já que pode em vários momentos representar mais 50% da potencia total gerada e consumida na rede elétrica. Esta potência renovável é bem-vinda á rede energética, mas obriga a mobilizar mais meios geradores para a gestão da rede com disponibilidade de gerar ou reduzir potência para fazer face á sua variabilidade e velar pela estabilidade da rede elétrica.

Podemos assim afirmar que a rede elétrica nacional será mais fácil de gerir, quando possuirmos em pontos estratégicos sistemas de armazenamento de energia que ajudam nas variações de cargas e permitem fornecer no menor tempo possível as necessidades de consumo dos clientes até que seja reposta a normalidade em caso de avaria. Também será mais fácil fornecer energia aos postos de carregamento dos automóveis elétricos sem perturbar a rede.

As energias renováveis vieram dar um contributo significativo para a melhoria do ambiente ao permitirem a substituição dos combustíveis fósseis mais poluentes, mas ainda precisamos de sistemas de grande potência na rede para gerir cargas como é o caso das centrais a Gás Natural (GN) que também é um combustível fóssil, embora menos poluente que o carvão ou o petróleo. Estas centrais são fundamentais para melhorar a gestão de cargas e possibilitam a transferência das energias fósseis da mobilidade para energias limpas, embora não seja possível faze-lo com a velocidade desejável, já que a potência necessária para o efeito ainda não existe e vai levar alguns anos a instalá-la, embora se esteja a avançar, mas necessitamos de mais fontes renováveis para a substituição das energias fósseis e regular as energias intermitentes. Não tenhamos dúvidas que vamos conseguir, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Na grande produção ainda não estão disponíveis soluções práticas de grande armazenamento na energia elétrica a não ser através da bombagem da água turbinada transformando-a em energia potencial, quando a água que produziu energia é novamente bombada para a barragem ganhando com esta operação energia potencial e fica pronta a passar novamente pela turbina que aciona o gerador para produzir novamente energia elétrica. Este processo tem demasiados custos associados pelo que é necessário definir quando é rentável por o processo em marcha. Senão vejamos: toda a energia que circula na rede é produzida por alguém que a vende. Os geradores quando fazem bombagem são alimentados pela rede elétrica e para o efeito funcionam como motores, consumindo tanta energia como geram, que tem que ser paga ao fornecedor. Esta opção só tem interesse se não houver outras fontes mais económicas de aquisição de energia no mercado ou a necessidade de ter potência disponível para alimentar a rede em períodos de ponta de procura de energia elétrica na rede nacional.

O problema de armazenamento de energia elétrica não é novo. Nos anos 60 já havia essa preocupação. A Hidroelétrica do Cávado (HICA), instalou dois grupos geradores hidroelétricos (com possibilidade de acoplar turbinas de bombagem) na central hidroelétrica do Alto Rabagão, no concelho de Montalegre. Foi talvez a primeira vez que esta tecnologia foi instalada em Portugal. A bombagem era feita da barragem da Venda Nova e fazia regressar a água novamente à barragem do Alto Rabagão, armazenando aí a água agora dotada de energia potencial e novamente pronta para geração de energia.

Com o evento do carro elétrico em crescente é agora a rede de distribuição que necessita de pontos de armazenamento para conseguir libertar potência necessária para os carregamentos rápidos. Não estando a rede energética dimensionada para o efeito, em qualquer ponto do país, há necessidade de criar as condições técnicas necessárias para o efeito. Uma viatura pode e deve-se carregar na nossa garagem sem problemas de preferência em período noturno. Aí não teremos grande problema porque o carregamento é mais lento e a rede está tecnicamente preparada e até será o momento ideal, porque são horas de menor consumo global. Esperamos que uma grande parte dos consumidores considere essa opção vantajosa para todos já que é no período noturno que a rede tem mais potência disponível.

Portugal está no pelotão da frente na investigação Europeia e Mundial de novas soluções técnicas de gestão das redes energéticas. Neste momento esta em estudo um projeto piloto apresentado pela Siemens em parceria com a Universidade de Évora e a EDP Distribuição. Esperamos que com as alterações previstas nas novas concessões de energia não estraguem o que estava há mais de 40 anos a funcionar bem em Portugal.

O negócio das concessões não pode valer tudo. Os portugueses estão primeiro e não iriam perdoar a qualquer poder politico um retrocesso nesta matéria, tão importante para o desenvolvimento do país. A energia é o principal motor de qualquer economia moderna.

Manuel Afonso Machado, Economista, Jornalista e Professor do Ensino Superior

Vídeo

https://www.facebook.com/siemensportugal/videos/1115696955130022/?t=6

Publicado a 17 de Agosto no jornal online Ecos de Barroso

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here