O orçamento de 2027 é muito curto para estimular a economia

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OPINIÃO

O orçamento de 2027 é muito curto para estimular a economia

Em maré de orçamento de estado (OE2027), vou dar a minha opinião sobre parte do documento que afeta diretamente todos os Portugueses.

As más noticias: Uma inflação que pode ser superior a 3%, aumento dos combustíveis, das rendas, dos bens de consumo de primeira necessidade da energia elétrica, transportes, dentre outros.

Redução de 400 milhões de euros no OE de 2027 de investimento público na Saúde.

Todos sabemos que o país aumentou a sua população residente em cerca de 1,5 milhões de pessoas que também recorrem normalmente ao sistema de saúde. Não vai ser fácil de acomodar o corte para 2027, contando com o corte previsto de 10% no OE de 2026. Mantem-se assim o subfinanciamento na saúde e provavelmente a acumulação de dívida pelos hospitais se querem prestar um serviço de qualidade como vem sendo feito, apesar das restrições.

Como já não há PRR o investimento para renovar blocos operatórios, construir novos centros de saúde, novos equipamentos e contratar novos profissionais terá de ser feito por investimento privado, que tem juros associados. Os portugueses não tem culpa da má gestão, que tem sido feita e querem melhores serviços na saúde onde os profissionais necessitam de melhores equipamentos e melhores condições de trabalho e salários.

As boas noticias: Diminuição do IRS para alguns, já que 2,3 milhões não ganham o suficiente para serem tributados e representam 42% dos que entregam declaração de IRS, são cidadãos que ganham até 970 euros por mês. O aumento para as forças de segurança em 2,9 % e um novo suplemento de 160€. Prevê-se que as pensões sejam aumentadas no próximo ano em função da inflação prevista.

Como as nossas pensões são das baixas da União Europeia, os portugueses vão ter de continuar a trabalhar depois de reformados, porque as reformas vão sendo comidas pela inflação, levando a baixar a procura interna por não terem condições dignas de vida.

A procura interna (PI) somos todos nós, com as empresas que também são afetadas pela falta de capital dos compradores. Daí que bons salários e pensões são fundamentais para que a economia cresça.

Também não vi neste orçamento, como nos anteriores, verbas para a regionalização e cá para o norte onde resido, não haverá verbas para melhorar as condições de vida dos povos do interior.

Assim com o nível de vida a baixar o PIB também não aumentará, estamos nisto há mais de 50 anos.

Esperamos que o ciclo político mude para melhor, dotando os municípios do interior com verbas que possibilitem fazer obras estruturais, nomeadamente estradas e pontes para que a acessibilidades sejam melhoradas e ficarmos todos mais perto.

Estou convencido que a primeira medida seria alterar a lei de financiamento municipal, afetando mais recursos aos municípios mais pobres. Melhorar a vida de quem mora no interior deveria ser um desígnio nacional.

Manuel Machado